16 de julho de 2013

Somos ludibriados por resultados imediatos. Castigos: cuidado com o que funciona!

"De onde nós tiramos a ideia insana de que, para fazer com que nossas crianças façam melhor, primeiro tenhamos de fazê-las sentirem-se pior?" (Nielsen)

Sempre que trabalhamos com educação de crianças, um assunto que está constantemente presente é o que chamamos de "mau comportamento". Em geral nem temos a compreensão do que realmente seja, sequer conseguimos defini-lo precisamente. No entanto, reagimos de forma a tentar acabar com este comportamento. Muitos conseguem. A curto prazo! Mas a que custo?

Principalmente no que diz respeito aos pais, o relacionamento com um filho estende-se por toda uma vida. Por isso, nunca devemos perder de vista os efeitos a longo prazo de qualquer atitude ou reação que tenhamos com nossos filhos no que diz respeito a sua educação. E muitos pais crêem firmemente que uma atitude severa, que envolva castigo, algum tipo de punição, funciona muito bem. Afinal, o comportamento indesejado acaba! Realmente! Mas a que custo? Podem funcionar a curto prazo, mas podem minar o relacionamento entre pais e filhos e serem uma bomba relógio. Por quê?




Castigos - efeitos a longo prazo

Quando usamos qualquer tipo de punição com nossos filhos, física ou psicológica, não estamos contribuindo para que se desenvolvam como pessoas saudáveis e independentes. Ao contrário, estamos criando situações para que eles possam ter 4 reações no futuro:

  1. ressentimento - "Isto não é justo! Não posso confiar nos adultos"
  2. vingança - "Eles estão ganhando agora, mas vai chegar minha vez!"
  3. revolta - "Vou fazer justamente o contrário para provar que não tenho de fazer do jeito que eles querem"
  4. retraimento - ou por dissimulação - "Não vou ser pego da próxima vez", ou por baixa auto-estima - "Eu sou uma pessoa ruim"
Quantos de nós, se fecharem os olhos e voltarem no tempo, não vão se lembrar de uma situação que tenham passado e não tenham tido uma destas reações? Qual foi o sentimento que passaram nestas ocasiões? Ficaram motivados a mudar para tornarem-se pessoas melhores, ou foram motivados por fatores externos: não serem pegos, saírem-se melhores na próxima, rebelarem-se, etc?

Quase todos já ouviram falar do subconsciente: aquela parte da nossa psique de cujos conteúdos não temos conhecimento, mas que se manifestam claramente em nossos comportamentos. A reação de uma criança aos castigos, no futuro, pode ser subconsciente: fundamentada em condicionamentos e percepções moldadas pelas experiências negativas destes castigos. Por exemplo, uma criança pode decidir que é uma má pessoa e continuar a agir como tal. Outra criança pode chegar à mesma conclusão e tornar-se um pedinte (um viciado em buscar aprovação), buscando o amor que ele julga não merecer. As crianças não desenvolvem características positivas baseadas nos sentimentos e decisões inconscientes decorridos de punição e castigo.

O que fazer, então?

Qual a alternativa, então? A permissividade? Esta é um desrespeito ao adulto e à criança: ao mesmo tempo que não respeita as necessidades deste último, não permite à criança o devolvimento de sua verdadeira autonomia. A permissividade nega à criança as oportunidades necessárias para que aprenda a responsabilidade e desenvolva habilidades emocionais necessárias para uma vida adulta sadia. A resposta é que não há um caminho exatamente correto.

Mas existem caminhos com grande potencialidade de proporcionar este crescimento saudável. Nos esforçaremos, neste blog, para trilhar um destes caminhos, difícil, mas que olha a longo prazo, que procura não se iludir com o aqui e agora. De um modo geral, é conhecido como disciplina positiva.

Para uma boa condução deste trabalho, é interessante que tentemos definir o que seja disciplina. Muitas pessoas associam disciplina com castigo, punição. Ou pelo menos acreditam que o uso de castigo possa ajudar as pessoas a adquirirem disciplina. Não é uma definição correta.

Disciplina vem da palavra latina discipulus, ou disciplini, que significa um seguidor da verdade, de um princípio, ou de um líder venerado.

As crianças não se tornarão seguidoras da verdade, ou de princípios, a não ser que a motivação venha do que chamamos locus interno de controle, ou seja, até que aprendam auto-disciplina. Até que a motivação seja interna, não externa. Tanto o castigo como a punição vêm de um locus externo de controle! Ou seja, não funcionam a longo prazo!

Até a próxima!

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